Podridão de vagens tem baixa incidência no PR
A condição é considerada multifatorial
A condição é considerada multifatorial - Foto: Agrolink
A ocorrência de podridão de vagens e grãos na soja tem chamado a atenção de técnicos e produtores na atual safra, especialmente diante das variações climáticas registradas em diferentes regiões do país. No Paraná, segundo análise da engenheira agrônoma Stefany Cristine S, os registros recentes apontam casos pontuais da doença, com intensidade inferior à observada no Centro-Oeste.
A condição é considerada multifatorial, resultado da interação entre diferentes agentes que atuam de forma conjunta. Entre os fatores edafoclimáticos, destacam-se o estresse hídrico e as variações térmicas, que afetam diretamente o desenvolvimento das plantas. No campo físico, a compactação do solo e a consequente restrição radicular comprometem a absorção de água e nutrientes. Já no aspecto fitopatológico, a presença de fungos oportunistas como Colletotrichum, Fusarium, Diaporthe e Cercospora contribui para o avanço do problema, sobretudo em tecidos previamente fragilizados.
O sintoma característico é o escurecimento interno das vagens e a degeneração das sementes durante a fase de enchimento, entre os estádios R5 e R6. Em condições de elevada umidade no final do ciclo, há favorecimento da colonização secundária, o que intensifica os danos e pode impactar a qualidade final dos grãos.
O manejo recomendado envolve uma abordagem sistêmica, com atenção à descompactação do solo, adoção de rotação de culturas e uso racional de fungicidas preventivos. A análise propõe ainda uma reflexão sobre a origem do problema, questionando se a podridão de vagens deve ser tratada apenas como questão fitossanitária ou como resultado de um sistema produtivo fisiologicamente desbalanceado, marcado por estresse hídrico, limitações físicas do solo e falhas no manejo da cultura.